A campanha

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A Campanha “Mais Direitos, Menos Zika” tem âmbito nacional e visa enfrentar a epidemia do vírus zika. Ela complementa a linha oficial de comunicação, focada no controle do vetor (mosquito Aedes aegypti), por meio de materiais e mensagens centradas nas mulheres e em sua saúde e direitos reprodutivos, abordando ainda a promoção do uso de preservativos masculinos e femininos como parte do protocolo de prevenção da transmissão sexual do vírus zika (“não basta usar repelente, use também camisinha”).

A campanha se destina a toda a população mas, em especial, a mulheres em idade reprodutiva (15 a 49 anos) grávidas e não grávidas, adolescentes, homens adultos e jovens, com ênfase nas populações afrodescendentes em situação de vulnerabilidade social agravada, que constituem a maioria das pessoas diretamente afetadas pelo zika e seus desdobramentos (síndrome congênita do zika).

O conceito da campanha está baseado na premissa de que o direito das mulheres e famílias em decidir livremente sobre a sua vida reprodutiva é um direito humano fundamental, mesmo no contexto da epidemia de zika. Isso significa que as mulheres que não estão grávidas e desejam adiar a gravidez neste momento devem ter as informações e os meios para fazê-lo, assim como as mulheres que estão grávidas ou desejam engravidar devem ter as informações e o apoio necessário para prevenir uma possível infecção por zika e suas consequências, inclusive por transmissão sexual. Os homens, por sua vez, são estimulados à corresponsabilização em evitar a gravidez não planejada e participar ativamente do cuidado dos filhos, sobretudo nos casos em que há diagnóstico de malformações congênitas, como microcefalia. Ao promover o engajamento coletivo e ações de informação e comunicação de risco centrada nos sujeitos de direitos, a campanha estimula a demanda por serviços de melhor qualidade e a adesão aos insumos em saúde sexual e reprodutiva, especialmente junto a mulheres, adolescentes e jovens em idade reprodutiva, reduzindo os riscos de síndrome congênita do zika.

A campanha surge a partir de debates realizados em 2016 na Sala de Situação – Direitos das Mulheres, Direitos Sexuais e Reprodutivos na Resposta ao Vírus Zika, espaço estratégico de diálogo e articulação de ações da sociedade civil, academia e ONU – Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), ONU Mulheres, e OPAS/OMS – em favor da saúde e dos direitos das mulheres, grupo mais afetado pela epidemia de Zika, e que conta também com a participação de órgãos federais e estaduais de saúde.

A campanha tem caráter nacional e foi desenhada para atuar principalmente nas mídias sociais, mas oferece também vídeos e spots de rádio para veiculação pro-bono e uma ampla variedade de materiais informativos para uso local e comunitário. Por ser uma campanha que reitera como princípio a comunicação em saúde com base nas necessidades, demandas e escuta de mulheres e jovens, seu conceito pode ser facilmente replicado em outros contextos semelhantes. Todos os materiais desenhados para atividades presenciais (oficinas, rodas de conversa, ações de comunicação interpessoal) e comunitárias estão disponíveis para replicação aqui no site da campanha (www.maisdireitosmenoszika.org).

Os materiais incluem: 6 folhetos, 8 cartazes, 6 spots para rádio, 6 banners com mensagens da campanha, 9 vídeos testimoniais e de animação (incluindo um videoclipe do grupo de funk carioca Dream Team do Passinho, que está apoiando a campanha e criou uma música especialmente para essa ação, e um filmete de 30 segundos para veiculação em emissoras também com o Dream Team do Passinho e que trata dos riscos de transmissão sexual do zika que permanecem mesmo com a redução dos mosquitos no inverno).

Os materiais podem ser reproduzidos e utilizados localmente, desde que seja dado crédito às instituições envolvidas.

A campanha foi desenvolvida a partir da experiência junto às populações atingidas pela epidemia e é um desdobramento da iniciativa “Atuando em contextos de Zika: direitos reprodutivos de grupos em situação de vulnerabilidade”, realizada ao longo de 2016 pelo UNFPA em parceria com 9 organizações da sociedade civil, centros de ensino e pesquisa, e instituições governamentais de saúde e de políticas para as mulheres em algumas das áreas mais afetadas pela epidemia, especialmente em Recife (PE) e Salvador (BA): Reprotai, Gestos, Coletivo Mangueiras, Coletivo de Mulheres do Calafate, Odara – Instituto da Mulher Negra, Grupo Curumim, Mirim Brasil, SOS Corpo, UIALA MUKAJI, que contribuiram para ampliar o repertório de informação e comunicação centrada na autonomia reprodutiva, qualificação da demanda e defesa dos direitos.