Avança plano integrado de resposta ao zika

Escrito por: unfpa postado em: 14/11/2016

O plano integrado de enfrentamento à epidemia de zika está em processo de consolidação. Essa é a avaliação das organizações participantes da 3ª reunião sobre Ações Estratégicas para o Fortalecimento da Atenção e Proteção Social às Pessoas Afetadas pelo Vírus Zika,realizada semana passada na sede do escritório da OPAS/OMS.

O processo, liderado pelo Departamento de Ações Estratégicas e Programáticas da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saude, começou em maio deste ano, com o objetivo de criar um plano nacional de enfrentamento à epidemia, a partir da identificação das necessidades e ações em curso por parte Ministério da Saúde, seus departamentos e secretarias, bem como da sociedade civil e organismos internacionais.

Participaram do encontro, pelo Sistema da ONU no Brasil, o UNFPA, Fundo de População das Nações Unidas, a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), UNICEF e ONU Mulheres, ao  lado de representações do Ministério da Saúde, Ministério do Desenvolvimento Social, Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde  e do Instituto Fernandes Figueira (IFF-FIOCRUZ). Nas duas reuniões anteriores, o grupo apresentou e sistematizou os trabalhos que estão em curso nas várias regiões do país, e como eles se relacionam com as áreas de maior incidência de zika.

Fernanda Lopes,  Representante Auxiliar do UNFPA no Brasil, mencionou quais campos de atuação são significativos para fortalecer a resposta à epidemia. “Nós já avançamos na formulação do mapa de ações estratégicas e na definição dos parceiros estratégicos. Esse instrumento de trabalho facilitará a integração da atenção biopsicossocial. Mas até agora nossos esforços estão naquelas pessoas que já foram afetadas. Precisamos incluir na nossa construção coletiva outras questões. Precisamos  realizar ações de promoção de saúde, focando em saúde sexual e saúde reprodutiva; prevenção das infecções, de gravidez não planejada. Precisamos ampliar o acesso à informação sobre a transmissão sexual do vírus. Precisamos seguir fortalecendo as comunidades, as mulheres, adolescentes e jovens, que podem ser agentes em uma estratégia de  vigilância popular comunitária. Nosso plano integrado, ainda que tenha foco na atenção, não pode deixar de fora ações de vigilância e saúde ambiental. Devemos estimular mecanismos contínuos para o monitoramento integrado das ações”.

O UNFPA tem contribuído para o processo de construção do plano de enfrentamento nacional à epidemia do vírus zika, com base nas boas práticas da iniciativa “Mais Direitos, Menos Zika”, cujo principal objetivo é engajar jovens, adolescentes e mulheres para a realização de ações de mobilização comunitária e vigilância em saúde em diferentes territórios nos estados de Pernambuco (PE) e Bahia (BA), com vistas a mitigar os impactos da epidemia de zika no exercício dos direitos reprodutivos, sem desconsiderar os direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais. Para o UNFPA, o engajamento comunitário e as ações de informação e comunicação de risco, baseada no direito dos sujeitos, são meios para estimular a demanda por serviços de melhor qualidade e insumos em saúde sexual e reprodutiva, especialmente para as mulheres, adolescentes e jovens evitarem uma gravidez não planejada ou para aquelas que estão grávidas e que, junto com seus parceiros, podem adotar medidas protetivas para evitar a transmissão sexual do vírus.

A coordenadora da Unidade Técnica de Família, Gênero e Curso de Vida da OPAS/OMS,  Dra Haydee Padilla,  destacou a importância de criar subsídios para a atuação no Brasil. “É relevante ter um relatório sobre zika, que diga o que estamos fazendo, onde existe zika, como as agências atuam. Nós temos que ter identificado os estados e as ações que devemos realizar ou dar continuidade. Ao lado do Ministério da Saúde e das secretarias, essa  é a  maneira de oferecer algo concreto e sustentável”.

Desde que o Ministério da Saúde colocou o Brasil em alerta sanitário em 2015, até o quadro epidêmico atual, diversos trabalhos foram desenvolvidos com apoio das instituições presentes na reunião. “Quando olhamos para a rede de atenção à saúde, vemos a importância da organização no território. Estamos caminhando ao lado de outros ministérios e hoje estamos em outro patamar, com organismos internacionais, representações de áreas do Ministério da Saúde, instituições parceiras e com isso acredito que vamos ter um grande resultado com esse trabalho integrado”, afirmou Fernanda Monteiro, da Coordenação-Geral de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde.

Para o próximo encontro o grupo espera ter definições em relação à estratégia de operacionalização do plano integrado, com ações de escopo nacional e ações mais específicas a serem implementadas em alguns estados.

Texto: Letícia Ferreira

Foto: Roger Nascimento