Mesmo sem epidemia, população precisa estar em alerta contra o Zika

Escrito por: unfpa postado em: 11/08/2017

Um anos após a epidemia de Zika no Brasil, pouco mudou em relação às condições e aos riscos de infecção pelo vírus. As condições precárias de saneamento e a falta de conscientização sobre a transmissão sexual desprotegida (sem camisinha) fazem com que o perigo da doença continue ameaçando milhões de pessoas no país.

Wagner Martins, diretor adjunto da Fiocruz Brasilia, Jaime Nadal, Representante do UNFPA no Brasil, Joana Chagas, Gerente de Programas da ONU Mulheres, Haydee Padilla, Gerente da Unidade Familia, Gênero e Curso de Vida da OPAS/OMS.

Com essa preocupação, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a ONU Mulheres mantêm ativo o trabalho da “Sala de Situação, Ação e Articulação sobre Direitos das Mulheres em tempos de Zika”. O último encontro da iniciativa aconteceu no dia 7 de agosto, em Salvador (BA), antecedendo a Feira de Soluções para a Saúde – Zika.

A Sala de Situação levou para o debate os resultados de experiências do projeto conjunto na perspectiva dos direitos das mulheres, com ênfase nos direitos sexuais e reprodutivos no contexto da epidemia do Zika vírus. A iniciativa é uma das principais estratégias das Nações Unidas frente à crise da epidemia Zika. O projeto iniciou em março de 2016, um mês após a Organização Mundial de Saúde ter anunciado emergência pública internacional para o Zika e a síndrome congênita associada. Nas Américas e no Caribe, o Brasil foi o país com maior incidência do vírus zika e de outras arboviroses.

“A Sala foi fundamental para o engajamento da sociedade civil e para a construção de posicionamentos conjuntos com a ONU, e serviu para articular as políticas públicas relacionadas ao Zika às questões de gênero e saúde reprodutiva, colocando-as como elementos centrais para a consolidação dos avanços sociais do país”, afirmou o Representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal.

Com o fim da emergência no Brasil, surgiram novos desafios. Em Salvador, a sexta Sala de Situação concluiu que, apesar da queda na incidência, “a epidemia continua“ e que a vigilância precisa permanecer alta. As preocupações ainda estão fortes pois os membros estão conscientes que complicações relacionadas ao vírus, que não estão ainda visíveis, podem revelar-se.

A epidemia também reiterou as iniquidades em saúde, em especial aquelas relacionadas ao acesso aos serviços de qualidade e aos contraceptivos modernos. Dentre as mulheres que tiveram filhos com a Síndrome Congênita do Zika Vírus 4,2% tinham 15 anos ou menos; 22,6% entre 15 e 19 anos e 44,5% entre 20 e 29 anos. Mais de oitenta por cento das mães de crianças com a síndrome são mulheres negras.

Mais direitos, menos Zika

Durante o encontro e os três dias da Feira de Soluções para a Saúde – Zika, o UNFPA teve a oportunidade de apresentar a campanha de comunicação #EuQuero Mais Direitos, Menos Zika, resultado da iniciativa “Atuando em contextos de Zika: direitos reprodutivos de grupos em situação de vulnerabilidade”, implementada em Pernambuco e Bahia de maio a novembro de 2016.

O principal objetivo da campanha, realizada em parceria com entidades da Sala de Situação, foi engajar jovens, adolescentes e mulheres para a realização de ações de mobilização comunitária e vigilância em saúde em diferentes territórios nos estados de Pernambuco (PE) e Bahia (BA). Com isso, buscou-se mitigar os impactos da epidemia no exercício dos direitos reprodutivos das mulheres adultas e jovens, sem desconsiderar os direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais.

Durante o evento, também foram reafirmadas as principais mensagens a ser divulgadas: as mulheres mais afetadas foram mulheres jovens e negras; o impacto direto da epidemia do vírus Zika na vida das mulheres e no exercício de seus direitos, incluindo os direitos sexuais e reprodutivos, e a importância do acesso e uso de preservativos masculinos e femininos, que permitem não só o planejamento da vida reprodutiva mas também a transmissão do zika por via sexual.